terça-feira, 24 de abril de 2012

150 mil devotos homenageiam São Jorge no Centro

23/04/2012
Raphael Freire

Existem na história da Igreja muitos santos estigmatizados pela cultura e pelo misticismo religioso e São Jorge é um deles. A Igreja Católica não só reconhece o “Santo Guerreiro”, como guarda sua memória litúrgica no dia de hoje, 23 de abril, quando celebra o martírio deste soldado fiel de Cristo. Segundo a Polícia Militar, aproximadamente 150 mil pessoas estiveram na Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, no Centro, para participar desta grande festa em homenagem ao santo.

Às 2h da madrugada fieis vindos de diversos bairros da cidade para agradecer pelas graças recebidas ou para pedir a companhia do santo no dia a dia, já aguardavam a abertura da Igreja e lotavam as ruas próximas ao templo, onde também foi montado um palco para as celebrações das Missas realizadas de hora em hora.

— Hoje comemoramos mais um dia festivo do nosso glorioso mártir numa festa bastante popular aqui no Rio. Estamos tentando a cada ano que passa recepcionar melhor os fieis que vem aqui na Igreja buscar uma força, um apoio, ou agradecer por alguma graça alcançada. Tentamos sempre melhorar para que as pessoas se sintam cada vez melhor aqui na nossa Igreja, disse o Vice Ministro da Irmandade de São Gonçalo Garcia e São Jorge, Marcos Rogério Ventura.

Além da tradicional Missa Solene de Alvorada, durante todo o dia foram celebradas Missas nas seguintes intenções: pelos falecidos, desempregados, enfermos, aflitos/endividados, pela família, por cura e libertação, pela paz, e pela Polícia Militar. A Celebração Eucarística em ação de graças foi presidida às 12h pelo Pároco da Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, Padre Wagner Toledo, que definiu a festa como um momento de louvar à Deus e de dizer ao Pai que todos estão firmes na caminhada de fé, amor e esperança.

— Hoje estamos em festa e alegres pela vitória de Cristo Ressuscitado na vida de São Jorge, nosso irmão mais velho na fé, que se tornou esse grande exemplo para todos nós na nossa caminhada. A devoção à esse santo cresce por conta da alegria que a gente sente quando encontra alguém que dá testemunho da luz, que vive a verdade e que transmite a vida. Nós estamos aqui hoje para agradecer, pois são muitas as situações de dificuldade que nós conseguimos superar por meio do testemunho de São Jorge, ressaltou durante a homilia.

Padre Wagner destacou ainda a oportunidade que o povo carioca tem de ser amparado pela intercessão de São Jorge. Ele explicou que a admiração ao santo guerreiro não é apenas um regionalismo, nem tão pouco algo exclusivo do povo brasileiro, mas uma devoção mundial.

— A devoção a São Jorge é muito grande e nós temos a felicidade de sermos convidados por ele a acreditar no amor e na vitória da vida sobre a morte. E quem é a vida se não o próprio Jesus que disse: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida” (Jo 14,1-6)?, questionou o sacerdote.

A ausência física do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta – que participou da festividade no último domingo, 22 de abril – foi citada pelo pároco no início da celebração. Dom Orani está participando da 50ª Assembleia Geral dos Bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Aparecida (SP).

Outros milhares de fieis participaram das celebrações em homenagem a São Jorge nos bairros de Quintino e Padre Miguel. Uma procissão motociclística saiu às 7h30min da Paróquia de Santa Rita, no Centro, em direção à Igreja da Ressureição em Copacabana, de onde o cortejo seguiu em direção ao Forte de Copacabana, no Posto 6. Após uma Missa presidida pelo Pároco da Paróquia da Ressureição, Monsenhor José Roberto Devellard, a procissão seguiu em cortejo para os bairros da Tijuca e Ramos.

As celebrações em homenagem ao Santo Guerreiro continuam no próximo domingo, dia 29 de abril, com a Procissão do Glorioso, saindo da Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge após a Missa das 9h. O endereço é Rua da Alfândega, 382, Centro. Informações pelo telefone 2221-9661.

Oração a São Jorge Guerreiro

Eu andarei vestido e armado, com as armas de São Jorge. Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem, nem pensamentos eles possam ter para me fazerem mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem ao meu corpo chegar, cordas e correntes se quebrem sem ao meu corpo, amarrar.

São Jorge, cavaleiro corajoso, intrépido e vencedor; abre os meus caminhos. Ajuda-me a conseguir um bom emprego; faze com que eu seja bem quisto por todos: superiores, colegas e subordinados. Que a paz, o amor e a harmonia estejam sempre presentes no meu coração, no meu lar e no meu serviço; vela por mim e pelos meus, protegendo-nos sempre, abrindo e iluminando os nossos caminhos, ajudando-nos também a transmitirmos paz, amor e harmonia a todos que nos cercam. Amém.

Vida de São Jorge

Nascido na antiga Capadócia, em torno do século III, Jorge mudou-se para a Palestina com sua mãe após a morte de seu pai. Lá foi promovido a capitão do exército romano devido a sua dedicação e habilidade. Com a idade de 23 anos passou a residir na corte imperial em Roma, exercendo altas funções. Por essa época, o imperador Diocleciano tinha planos de matar todos os cristãos.

No dia marcado para o senado confirmar o decreto imperial, Jorge levantou-se no meio da reunião declarando-se espantado com aquela decisão, e afirmou que os ídolos adorados nos templos pagãos eram falsos deuses. Todos ficaram atônitos ao ouvirem estas palavras de um membro da suprema corte romana, defendendo com grande ousadia a fé em Jesus Cristo como Senhor e salvador dos homens. O Imperador tentou fazê-lo desistir da fé torturando-o de vários modos. E, após cada tortura, era levado perante o imperador, que lhe perguntava se renegaria a Jesus para adorar os ídolos. Jorge sempre respondia: "Não, imperador! Eu sou servo de um Deus vivo! Somente a Ele eu temerei e adorarei".

Finalmente, Diocleciano, não tendo êxito em seu plano macabro, mandou degolar o jovem e fiel servo de Jesus no dia 23 de abril de 303. Sua sepultura está na Lídia, Cidade de São Jorge, perto de Jerusalém, na Palestina.

A devoção a São Jorge rapidamente tornou-se popular. Seu culto se espalhou pelo Oriente e, por ocasião das Cruzadas, teve grande penetração no Ocidente. E Deus, verdadeiramente, honrou a fé de seu servo Jorge, de modo que muitas pessoas passaram a crer e confiar em Jesus por intermédio da pregação daquele jovem soldado romano.

Verdadeiro guerreiro da fé, São Jorge venceu contra Satanás terríveis batalhas, por isso sua imagem mais conhecida é dele montado num cavalo branco, vencendo um grande dragão. Com seu testemunho, este grande santo nos convida a seguirmos Jesus sem renunciar o bom combate.

* Fotos: Raphael Freire e Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge



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