sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Pe Alex Siqueira fala sobre o Ano Paulino

O Papa Bento XVI anunciou a celebração de um “especial ano jubilar” dedicado ao Apóstolo Paulo, por ocasião dos 2000 anos do seu nascimento. O Ano Paulino irá prolongar-se de 28 de Junho de 2008 a 29 de Junho de 2009. Bento XVI lembrou que Paulo passou de “violento perseguidor dos cristãos” a Apóstolo de Jesus e por ele “sofreu e morreu”. “Como é atual, hoje, o seu exemplo”, exclamou. O nascimento de Paulo é colocado pelos historiadores entre o ano 7 a 10 depois de Cristo. O Papa indicou que Roma será um local privilegiado para a celebração deste Ano Paulino, dado que a cidade conserva o túmulo de São Paulo, descoberto na Basílica romana de São Paulo fora de muros.Paulo de Tarso Paulo foi uma das figuras que marcou, de forma decisiva, a história do Cristianismo, o Apóstolo que anunciou o Evangelho em todo o mundo antigo, sem nunca vacilar perante as dificuldades, os perigos, a tortura, a prisão ou a morte. Paulo nasceu em Tarso, na região da Silícia, Ásia menor, atual Turquia (At 9,11; 21,39; 22,3). Cidade grande situada às margens do mar Mediterrâneo e conforme os cálculos de alguns estudiosos, tinha mais ou menos 300.000habitantes. Tarso era um centro importante de cultura e de comércio. Possuía um porto muito ativo.
Desde o VI séc. A C, houve muita migração de judeus para fora da Palestina. Em quase todas as cidades do Império Romano havia bairros judeus, cada um com sua sinagoga e organização comunitária. Eles formavam a assim chamada diáspora (dispersão).
Havia uma comunicação muito intensa entre Jerusalém e a diáspora; romarias,visitas....Jerusalém era o centro espiritual de todos os judeus. Assim se entende como Paulo, nascido em Tarso, foi criado em Jerusalém (At 22,3;26,4-5). Ele mesmo dizia: “Todos os judeus sabem como foi minha vida desde minha juventude e como, desde o início, vivi no meio do povo e em Jerusalém”(At 26,4).
Nascido numa família judaica, Paulo foi criado dentro das exigências da Lei e das “tradições paternas” (Gl 1,14). Os judeus da diáspora eram judeus praticantes. Sua preocupação maior era a observância da lei de Deus. Por isso lutavam contra aquelas leis e costumes do Império Romano que dificultavam ou impediam a observância da Lei de Deus; por exemplo: prestar culto ao imperador , trabalhar no dia de sábado, prestar serviço militar. Deste modo eles conservavam viva a obrigação de serem “a nação consagrada, propriedade particular” de Deus (cf. Ex 19,3-8) e se mantinham “separados”, diferentes dos outros povos (cf. Esd 10,11; Ne 9,2). Por causa disso eram hostilizados e perseguidos (cf. At 18,2). Mas eles carregavam a cruz da diferença como expressão da vontade de Deus.
Paulo nasceu e cresceu nesse ambiente protegido e rígido do bairro judeu. De lá olhava para o ambiente aberto e hostil da grande cidade grega. Estes dois ambientes marcaram sua vida. Ele tinha dois nomes um para cada ambiente: Saulo,o nome judaico (At, 7,58), e Paulo para o ambiente greco-romano (At 13,9).
Como todos os meninos judeus da época, Paulo recebeu sua formação básica na casa dos pais, na sinagoga do bairro e na escola ligada à sinagoga. A formação básica compreendia: aprender a ler e a escrever; estudar a Lei de Deus e a história do povo; assimilar as tradições religiosas; aprender as orações,sobretudo os salmos. Além da formação básica em Tarso, Paulo recebeu uma formação superior em Jerusalém. Estudou com Gamaliel (At 22,3). Morreu em Roma, no ano 67. O nome de Paulo aparece como autor de 13 Cartas do Novo Testamento, escritas a diferentes comunidades: Romanos, Gálatas, 1 e 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Coríntios, Filipenses, Filémon; 1 e 2 Timóteo, Tito, Efésios, Colossenses.
Teologicamente falando, Paulo assimilou o sistema teológico dos cristãos de origem helenista, que antes perseguia, e começou a pregação contra o sistema judaico, que antes seguia com rigor de fariseu. Os próprios judeo-cristãos de Jerusalém foram certamente poupados na sua “perseguição” ao Cristianismo nascente, porque salvavam a relação umbilical entre Cristo e Moisés e não pareciam a Paulo mais do que um “desvio” farisaico. Esta inculturação do Evangelho na cultura helenista – tipicamente citadina –levou Paulo, homem da cidade, a utilizar uma linguagem mais teológica e abstrata, própria do ambiente evoluído em que pregou o Evangelho, em contraposição com a linguagem campestre utilizada por Jesus no ambiente agrícola e pastoril da Palestina.

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