terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"Não Quero falar de Chacina"


Em 2005, o Cineasta Antônio Ernesto Martins criou o documentário “Não Quero Falar de Chacina”, através de depoimentos de antigos moradores de Vigário Geral e Jardim América e estudos sociológicos, levantando diversas discussões sobre a segregação das periferias e mostrando a história por um lado que poucos conhecem. Com relação ao nome do filme foi sugerido o link com a chacina, mas Antônio Ernesto já estava cansado da exploração em cima do fato pela sociedade sem nenhum resultado concreto no dia a dia da população. Decidiu então, ir á contra mão dessa corrente e levar à população da região que morou (Vigário geral) e que mora (Jardim América) o conhecimento sobre a história local e a consciência crítica sobre as mudanças que aconteceram, elevando assim a auto-estima e o poder de reação dessa gente. Ele alega que ficou impressionado com a riqueza da pesquisa e com as curiosidades históricas que ele mesmo não conhecia sobre esses bairros. Seu grande desafio foi como falar de Vigário Geral sem ter que focar a chacina ocorrida no local que virou notícia internacional e como não associar inúmeros relatos de discriminação e degradação social. Afirma que existem outras coisas a serem ditas, outras imagens a serem mostradas, outros olhares que podem ser incentivados, aqui e em qualquer outro lugar do mundo. Este documentário somente foi exibido na região das filmagens, porém, a partir de novembro estará em exibição no arquivo da cidade e na faculdade de história da UFF. Sua repercussão tem sido muito positiva e é evidente o orgulho dos moradores locais.As novidades do cineasta Antônio Ernesto Martins não param por aí. Ele está preparando para 2009 junto com a Pastoral da Comunicação da Paróquia Santa Rosa de Lima (Jardim América) um vídeo sobre a história da construção desta igreja, o qual alega ser uma verdadeira saga de amor e dedicação da comunidade. Afirma que quer voltar a trabalhar com ficção e que, também já está desenvolvendo outro roteiro que fala sobre drogas e o conflito do viciado. Finalizando, diz que realizará tudo isso se Deus assim permitir, pois para fazer o documentário“Não quero falar da Chacina” precisou utilizar seus próprios recursos, já que possui um problema igual ao da maioria das produções audiovisuais independentes no Brasil: a falta de recursos.
Entrevista: Renata Ramos.

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